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Entrevista Juliana Carvalho

Diretora de “O QUE OS OLHOS NÃO VEEM, AS PERNAS NÃO SENTEM” - Vencedor Júri Popular Claro Curtas 2008

22/04/2010

Como surgiu a ideia para seu curta “O que os olhos não veem, as pernas não sentem”?
A ideia do curta surgiu justamente dessa intensa convivência com a Camila. Certa vez, estávamos indo para o salão de beleza e ela me empurrou enquanto eu a guiava. Sozinha, eu não conseguiria chegar lá devido a falta de acessibilidade, como falta de rampas. E ela por sua vez também não saberia chegar lá se estivesse só.

Que equipamento você usou para fazer seu filme, vencedor do Júri Popular do Claro Curtas 2008?
Uma Sony Mini DV.

Você costuma fazer vídeos?  E depois do Claro Curtas 2008, fez mais algum?
Eu trabalho com TV, na frente das câmeras, mas adoro fazer produção e bancar a diretora. Fiz assistência de produção no documentário "Sob Meus Olhos" (Gustavo Tissot, 2009), que fala sobre pessoas com deficiência visual, exibido no Multishow e estou produzindo em parceria com a Zapata Filmes uma série para TV sobre sexo depois da lesão medular.

Como foi, pra você, ter seu vídeo como selecionado pelo público do Festival?
Foi emocionante, uma grande surpresa e também uma sensação de que tudo vale a pena.

Este ano, o Claro Curtas traz novidades, como miniguia com dicas para fazer um vídeo e oficinas de audiovisual. O que você acha dessa iniciativa?
Achei demais! Tem muita gente com histórias incríveis para contar, mas sem saber como. O miniguia dá as dicas!

O tema da edição deste ano é SER DIGITAL. O que é SER DIGITAL pra você?
Ser digital para mim é estar conectado e também comunicar com o mundo. É estar em todos os lugares sem sair de casa. Para algumas pessoas, se pensarmos em alguém com alguma deficiência severa, ser digital é a única forma de interagir com o ambiente externo. Ser digital é uma verdadeira revolução nos meios de expressar-se e também no estilo de vida.

Você acaba de lançar o livro “Na minha cadeira ou na tua?”, em que fala sobre experiências amorosas de cadeirantes. Como surgiu a ideia de escrever sobre esse tema?
A ideia surgiu quando estava ainda na UTI, toda paralisada. Na hora pensei: “Isso é muito surreal, parece um filme, dá um livro”. Aliás, já recebi a primeira proposta para fazer do livro um longa-metragem!

Você vai lançar mão das redes sociais para difundir o projeto? Como esse universo digital pode ajudá-la a divulgar seu livro?
Estou divulgando o livro no Twitter, Orkut, Facebook e também no Youtube. Para assistir o trailler do livro basta acessar: http://www.youtube.com/watch?v=2qiDBUVtpXM.
Ah, fui eu que dirigi o trailler (risos). As imagens são de João Seggiaro e a trilha de Haroldo Paraguassu.

PERGUNTAS LIGEIRAS

Nome
Juliana Carvalho.

Moro em
Porto Alegre, RS.

Principal ocupação
Apresentadora de TV do programa Faça a Diferença e blogueira do Sem Barreiras e www.comediasdavidaaleijada.blogspot.com.

Quando era criança achava que o mundo seria
Um grande parque de diversões, e não é que ele é!

Um filme que mudou minha vida
Dogville, do Lars Von Trier.

Meu sonho é
Ter um iate adaptado no rio pra dar festas pros amigos e voltar a caminhar.

Minha palavra preferida
Esperança.

Eu e minha câmera numa ilha deserta
Rodaríamos a versão feminina de O Náufrago, mas sem extração dentária.

As mídias digitais me proporcionam
Contar histórias para milhares de pessoas.

Compartilhar significa
Tudo, estar vivo.

Ser digital é
Fundamental.

O que mudou para mim depois do Claro Curtas 2008
Conheci pessoas incríveis, fiz amizades pra vida toda e peguei gosto por ganhar prêmios.

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