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Entrevista: Adriana Fresquet, da Rede Kino, defende o 'outro' audiovisual

Especialista em Educação Audiovisual, Adriana esteve presente no debate proposto pelo Seminário Claro Curtas. Confira a entrevista.

13/09/2011

O Seminário Claro Curtas, que aconteceu no Museu da Imagem e do Som de São Paulo no dia 23 de agosto, teve casa cheia. O público presente acompanhou ativamente as duas mesas de debate sobre Educação Audiovisual, das quais participaram profissionais do audiovisual, da educação, representantes do poder público, de ONGs e de outras instituições.

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Uma das presenças mais celebradas no evento foi a de Adriana Fresquet, que participou da primeira mesa de discussões, intitulada “Olhar e Pensar – Convergências entre políticas de cultura, educação e empreendedorismo comunitário envolvendo a educação audiovisual e os seus desafios”. Nascida na Argentina e residente no Brasil há vários anos, Adriana é professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e atualmente coordena a Rede Kino, junto com Milene Gusmão, da Universidade Estadual do Sul da Bahia (UESB).

A Kino é uma rede latino-americana de Educação, Cinema e Audiovisual, que atua no cenário da Educação Audiovisual, ainda em construção no Brasil e em outros países latino-americanos. O projeto tem como objetivo reunir diferentes iniciativas de produção audiovisual e de cinema em espaço escolar, ligadas à educação, desde o ensino básico até o universitário.

Na entrevista abaixo, Adriana comenta os desafios ao longo dessa trajetória – tão em sintonia com a plataforma Claro Curtas. Confira:

Em sua opinião, qual é a importância de debater Educação Audiovisual hoje?

É um assunto que está no olho do furacão, atual e urgente. Todo mundo produz e vê muitas imagens, já que nossa vida está totalmente rodeada por outdoors, propagandas e televisão. Acho que é importante se debruçar sobre essas imagens para pensar e refletir sobre elas. Para nós da Rede Kino é uma maneira de identificar esse “outro audiovisual” – que, ao contrário do que nos é imposto através da mídia, não circula nos outdoors e na televisão. Sempre tomando o cinema como referência, esse é o audiovisual que nos interessa levar às escolas, cinematecas, cinemas, hospitais ou aonde for, para que as crianças possam beber de outras fontes.

De que maneira o cinema pode contribuir com esse processo?

Como diz o grande pensador Walter Benjamin, a construção do universo infantil se faz a partir dos restos do mundo adulto. E esses restos hoje são consumistas e poluídos. Sendo assim, é preciso aproximar a infância de outro universo, relacionado às artes de maneira geral – e não apenas com o cinema. Com isso, a produção espontânea de imagens com câmeras portáteis e celulares, feita hoje por crianças e adolescentes, pode se tornar qualificada. Trata-se do endereçamento do olhar que condiciona o endereçamento do fazer.

Qual é a contribuição do Claro Curtas nesse cenário?

Acho que o festival tem se organizado muito bem, sendo criativo e aproveitando um recurso que está disponível na mão de todos. Os kits pedagógicos, por exemplo, são um recurso muito produtivo, eficiente, acessível e cuidado artisticamente. Sem dúvida, é um primeiro passo. Acho que plataformas como essa deveriam se multiplicar em várias instituições, permitindo, cada vez mais, que haja uma orientação do fazer que não esteja necessariamente ligada a um espaço e que permita a criação. Criar é uma forma de restauração da infância.

Voltando ao tema da Educação Audiovisual, em que ponto dessa trajetória a ser trilhada se encontra a América Latina?

O que mais me afeta na realidade latino-americana é a profunda desigualdade social e as enormes assimetrias no que se refere à educação, à cultura e às artes. O primeiro passo é eliminar essa distância. Para isso, é preciso democratizar o acesso ao cinema nacional e ao internacional, criar filmotecas nas escolas e nos espaços coletivos e promover uma aproximação, ou seja, uma garantia de fazer tudo isso de forma massiva. Então, começaremos a falar de outras coisas. É necessário resolver a principal dívida interna, gigantesca na América Latina: a falta de alimento de todo tipo. Assim como falta o que comer, a maioria também não dispõe do alimento cultural, tão necessário para o desenvolvimento e aprendizagem. Esse é o desafio: democratizar o acesso à cultura e criar condições para que todos também possam fazer arte.

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