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Entrevista: Carime Kanbour, do Instituto Claro, fala sobre os desafios do Claro Curtas
Em todos os caminhos percorridos pelo Instituto Claro, Carime Kanbour destaca o apoio às tecnologias no estímulo de processos educativos e empreendedores. Segundo a vice-presidente do Instituto, o Claro Curtas é um festival de enorme potencial de mobilização, destinado a estimular a face democrática da produção audiovisual do país. Confira a entrevista exclusiva de Carime ao Festival.
15/09/2011

Quais são as ações permanentes do Instituto Claro e que tipo de projetos específicos, como o Claro Curtas, costumam ser apoiados por vocês?
A atuação do Instituto Claro parte da premissa que a tecnologia faz parte da vida das pessoas. Levando isso em conta, buscamos apoiar projetos que evidenciem a importância das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) para a educação, para a cultura e para o meio ambiente, influenciando o comportamento e a transformação da sociedade.
Nossas ações contam com o apoio e a parceria de órgãos públicos, como ministérios, governos, prefeituras, secretarias, universidades e fundações, além de instituições privadas. Essa união de forças resulta em inúmeras iniciativas de estímulo à educação, à preservação ambiental e ao voluntariado, sendo que a maioria delas tem abrangência nacional. Entre eles estão o próprio Claro Curtas, o Prêmio Instituto Claro e os programas Voluntários em Ação e Claro Recicla.
De que maneira as TCIs contribuem para a inovação dos processos de aprendizagem e para o desenvolvimento? Como o Claro Curtas se insere nesse contexto?
Sabemos que os educadores e os estudantes são importantes agentes no processo de transformação de realidades sociais, especialmente aqueles com perfil empreendedor, que desenvolvem uma ideia e buscam transformá-la em realidade.
Junto a esses empreendedores, o Instituto Claro busca contribuir para um novo olhar para a educação, fomentando a reflexão, a discussão e o desenvolvimento de práticas e de oportunidades de aprendizagem inovadoras, lúdicas e inclusivas. O grande desafio é incentivar o uso das TICs para a produção de conhecimento. Percebemos que o Claro Curtas tinha um potencial educativo muito forte e nas últimas edições, mas principalmente este ano, redimensionamos o Festival de forma a gerar um alinhamento às diretrizes do Instituto Claro. Nesta edição, criamos o guia do educador e categorias de participação e premiação voltadas para premiar autores ligados a instituições formais e não formais de ensino.
Qual a importância hoje, no Brasil, de apostar em projetos ligados ao audiovisual e à cultura audiovisual?
O audiovisual tem revelado uma nova geração de criadores que realizam seus vídeos a partir de diferentes dispositivos móveis e os compartilham nas mídias sociais. O Festival Claro Curtas vem ao encontro deste movimento, orientando para o aprimoramento desta produção e para a apropriação deste recurso como importante ferramenta de comunicação e expressão.
Como foi o processo de definição da plataforma do Claro Curtas, desde sua primeira edição até hoje? Foi difícil estabelecer um formato?
Desde o primeiro ano percebemos o potencial de mobilização do Claro Curtas. Na segunda edição, quando começamos o alinhamento da plataforma às premissas do Instituto, implementamos as oficinas de capacitação. Este ano, ampliamos o número de oficinas e fizemos algo inovador: criamos turmas compostas por educadores e alunos. Ao sentar o professor ao lado do aluno, tivemos uma quebra de paradigmas significativa, que reflete as mudanças necessárias aos modelos de educação vigentes, num tempo em que as tecnologias transformam as formas de aprender. O Claro Curtas está cada vez mais convergente com a política do Instituto e só tende a evoluir neste sentido.
Como você vê o impacto das mudanças implementadas nesta edição, especialmente a criação de categorias específicas?
Observando as edições anteriores, notamos que o público participante é bastante amplo, o que faz com que o Festival receba uma variedade muito grande de material, com conteúdos e referências muito diferentes entre si. Com isso, decidimos criar as categorias de participação e qualificar a premiação, contemplando mais vencedores e proporcionando benefícios a longo prazo, tanto para os participantes quanto para as instituições às quais estão ligadas. Com isso conseguimos um panorama muito interessante da produção audiovisual pensada e realizada nos ambientes escolares e aproximamos ainda mais o Claro Curtas de uma questão muito atual em sala de aula: a implementação e sistematização da chamada “educação audiovisual”, que hoje já ocupa um lugar bastante grande como disciplina transversal.
O Claro Curtas sempre apresenta um tema. Qual a importância de propor um ponto de partida para a criação dos vídeos, como, neste ano, é “O tempo do agora”, e como é o processo de escolha dos temas?
Desde o princípio procuramos lançar uma provocação aos participantes, estimulando-os a refletir e criar seus trabalhos tendo como base um tema social. Nesse sentido, a primeira edição abordou o tema “Inclusão e diversidade sob a perspectiva dos direitos humanos”, enquanto a segunda propôs um debate sobre “Ser digital, aprendizado e transformação na sociedade do conhecimento”. Para esta 3ª edição, achamos pertinente levantar a questão do “tempo do agora”, quando somos bombardeados por informações. Mas sabemos aproveitá-las? Qual o valor do tempo em uma sociedade veloz, dinâmica? Esses são alguns dos questionamentos possíveis e provocamos as pessoas para que reflitam a respeito.
Quantos materiais educativos foram distribuídos em papel e através do site?
Nas três edições, foram distribuídos 20 mil miniguias, 10 mil guias do educador e 10 mil DVDs com o acervo do Claro Curtas. Além disso, temos mais de 7.000 downloads de material feito através do site do projeto.
Quais suas impressões sobre o seminário da edição deste ano?
Neste ano em que o Claro Curtas premia os talentos e as instituições às quais estão vinculados, quando lançamos o Guia do Educador e conseguimos ampliar as oficinas e envolver educadores no processo, o seminário veio para reforçar ainda mais essa já citada vocação educativa. Levamos para as mesas de debate a temática da Educação Audiovisual, promovendo encontros entre educadores, gestores públicos, jovens realizadores e participantes de organizações sociais e cineclubes. Durante as discussões, ficou claro o quanto esse é um assunto pulsante, que está cada vez mais em pauta entre educadores e educandos. Há diversas iniciativas sendo realizadas por todo o Brasil, com resultados efetivos. A plataforma Claro Curtas está alinhada a essa temática e poder trazê-la para nosso evento final foi muito importante para o projeto.
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