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Entrevista: uma grande história mobiliza toda uma cidade

Do pequeno município de Pedro Osório, interior do Rio Grande do Sul, surgiu uma das histórias mais instigantes de mobilização para a votação de um curta nesta edição do festival. "A cor do tempo", vídeo realizado por alunos do Colégio Getúlio Vargas - a única instituição de Ensino Médio da cidade -, apareceu em sites, blogs, redes sociais e inclusive em programas de rádio e TVS locais. Com tanto apoio, ganhou o prêmio do júri popular na categoria de Ensino Médio e, segundo contam os alunos Augusto Gowert e Carlos Ossanes e a professora Stefany Wieth, conquistou muito mais.

13/09/2011

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Como vocês ficaram sabendo do Claro Curtas e qual foi a motivação de vocês para participar do festival?

Augusto Gowert: Ficamos sabendo com a chegada do material educativo na escola, uma semana antes do fim das inscrições.

Carlos Ossanes: Logo surgiu a vontade de participar, pelo fato de já termos uma bagagem multimídia.

Professora Stefany Wieth: O material de divulgação do festival chegou à nossa escola pelas mãos da diretora Simone Madruga, que logo tratou de motivar esse grupo que já havia participado de outras produções audiovisuais na escola. Creio que a possibilidade de prêmios, tanto para os vencedores quanto para a instituição, também contribuiu como estímulo para participação.

Como foi o processo de realização do curta?

A.G.: O processo de realização foi um pouco confuso. Um dia, a professora Fany escreveu no quadro: “Qual é a cor do tempo?”. Isso gerou uma motivação, e, à tarde, fomos gravar. Não tínhamos um roteiro, apenas ideias que partiram de todos os integrantes. Trabalhamos juntos, sem subdivisões. Com isso, tínhamos algum material, que eu editei. Quando acessamos o site para mandar o vídeo, descobrimos que o prazo tinha aumentado, então adicionamos mais material, modificamos muita coisa, gravamos mais. Editamos o vídeo mais uma vez e finalmente o entregamos.

Que impacto tem, para os alunos participantes e para a escola, ter seu trabalho reconhecido no Claro Curtas?

A.G.: Foi muito empolgante saber que um vídeo saído de uma cidade e escola tão pequenos teve reconhecimento. Gerou um certo orgulho.

C.O.:
Para nós, é um prestígio. Além de ter nosso trabalho reconhecido nacionalmente, representamos nossa escola no festival, alcançando a primeira colocação. Achamos que isso incentiva os demais alunos, que vêem que, sim, há visibilidade nos trabalhos feitos e que não existe uma barreira por sermos de uma cidade pequena.

P. S. W.: A participação no Festival Claro Curtas foi muito importante para todos nós, pois além de garantir visibilidade para o que é feito na escola, possibilitou vivências, trabalhou com conduta ética e responsabilidade para o desenvolvimento de várias competências, habilidades dos alunos e tendências vocacionais entre eles. Isso porque puderam mostrar sua capacidade criativa, seu talento. Iniciativas como essa contribuem para novos ambientes de aprendizagem na escola, ampliam as possibilidades do aluno se expressar, comunicar-se, verbalizar suas idéias.

O colégio Getúlio Vargas costuma ter atividades com vídeo na programação de suas aulas?

A.G.: Sim, principalmente no ano passado, em que alguns professores realizaram trabalhos que envolviam a criação de um trailer, além de vídeos à parte, gerados pelos alunos.
   
C.O.: Fizemos nossa 1ª Mostra de Curtas, que reunia um acervo de vídeos criados pelos alunos em propostas dos professores de diversas disciplinas.

P.S.W.: As atividades com vídeo na escola tiveram início em 2008, por iniciativa da professora da disciplina de Física, Denise Borges, que estimulou os alunos a produzirem pequenos vídeos ilustrando experimentos e biografias de cientistas de forma criativa e inovadora. Desde então, a proposta foi acompanhada por outros professores e surgiram produções audiovisuais também nas disciplinas de Línguas e Biologia.

Na opinião de vocês, qual a importância de incluir o audiovisual nas aulas?

A.G.: É muito importante contar com tal ferramenta na sala de aula. Além das aulas ficarem mais atrativas, os alunos exploram sua capacidade criativa e têm uma experiência diferente da aula padrão.

C.O.: Os benefícios são vários. Muitas vezes, inclusive, o aluno descobre uma vocação artística que não sabia que tinha.

P.S.W.: Embora seja uma escola pequena e de recursos modestos, nós professores e direção, procuramos sempre integrar os alunos ao uso das tecnologias. Além dos trabalhos com vídeos, outras mídias também são disponibilizadas aos alunos, como ferramentas de internet e a rádio interna, implantada no final de 2010. A intenção pedagógica é justamente esta, promover espaços para a aprendizagem com diferentes linguagens de comunicação. O uso das tecnologias na escola e da linguagem audiovisual na atualidade é tão importante, na minha opinião, quanto aprender a ler e escrever. É fundamental para o aluno fazer leituras do mundo em que vivemos hoje. Assim, a escola também educa o olhar para tudo o que é produzido hoje (em termos éticos, técnicos e artísticos).

Como vocês mobilizaram as pessoas para votar em “A cor do tempo”, conquistando o júri popular?

A.G.: Houve uma intensa campanha nas redes sociais e o auxílio da diretora da escola, a professora Simone, que ficou muito motivada com o projeto e ajudou a divulgar no meio escolar. Além disso, utilizamos da rádio municipal para motivar a população.

C.O.: No dia seguinte ao que fomos classificados como finalistas, já começamos uma campanha, divulgando o site e o modo de votar, não só pela escola, como nas rádios, jornais e sites locais. O interessante é que todos colaboraram e ajudaram a divulgar.

P.S.W.: Pedro Osório é um município pequeno, com aproximadamente oito mil habitantes, distante 300 quilômetros da capital do estado. Nossa escola é a única de Ensino Médio por aqui. Todos, inclusive a comunidade, se empenharam muito na votação do curta. Fomos convidados para entrevistas em jornais locais e regionais e na rádio da cidade. Tivemos o apoio da 5ª Coordenadoria Regional de Educação, do NTE (Núcleo Tecnológico Educacional de Pelotas) e de sites, blogs e redes sociais. Fomos convidados a participar de um encontro de professores em Pelotas para fazermos um relato da experiência e fomos homenageados com Mérito de Reconhecimento pela Câmara dos Vereadores de Pedro Osório, para orgulho de nossa escola.

Que planos vocês têm para a câmera que resultou dessa participação premiada no Claro Curtas?

A.G.: De alguma maneira, pretendemos investir no audiovisual.

C.O.: Nosso grupo é formado por seis integrantes, então teremos que pensar em como dividir esse prêmio!

Assista o vídeo "A Cor do Tempo"

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