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Sobre o tempo: 6 ideias + 1
Para fazer um filme, a receita básica é explorar o tempo e o espaço. O interessante é que algumas histórias vão além, abordando o assunto de maneira tão especial que o tempo passa de ingrediente a elemento criativo. O resultado pode ser instigante!
05/05/2011

Foto produzida por Carla Almeida na oficina de Salvador/BA 2011
Escolhemos seis filmes de diferentes formatos e durações para inspirar quem está com a câmara na mão, pronto para realizar seu vídeo sobre O Tempo do Agora. Confira!
1. Koyaanisqatsi (Koyaanisqatsi: Life out of Balance, 1982)
http://www.youtube.com/watch?v=I6pVLQAY1HM
http://www.koyaanisqatsi.org/
Este documentário norte-americano, de Godfrey Reggio, fez história no cinema com seu estilo poético de abordar diferentes aspectos das relações entre humanos, natureza e tecnologia, mostrando cidades e paisagens dos Estados Unidos a partir de imagens de arquivo. A trilha sonora exclusiva, um dos pilares narrativos dessa memorável fusão de som e imagem, foi criada pelo compositor minimalista Philip Glass, um dos mais influentes do século 20. É o primeiro filme da Trilogia Qatsi, composta também por Powaqqatsi (1988) e Naqoyqatsi (2002). Seu slogan diz: “Until now, you’ve never really seen the world you live in” (“Até agora, você nunca viu realmente o mundo em que vive”). Não é à toa que virou um filme cult, selecionado, inclusive, para preservação pelo setor de filmes da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Ah, e Koyaanisqatsi significa "vida maluca, vida em turbilhão, vida fora de equilíbrio” na língua hopi, falada por uma nação indígena do nordeste do Arizona, nos Estados Unidos.
2. Amnésia (Memento, 2000)
http://www.youtube.com/watch?v=Rq9eM4ZXRgs
A memória é, sem dúvida, uma armadilha, uma peça que o tempo prega na mente humana – e, por outro lado, é também um artifício poderoso, uma ferramenta de tremenda utilidade. Este longa-metragem de ficção, responsável por lançar para a fama o diretor Christopher Nolan (de A origem e Batman Begins), abdica da narração linear para apresentar seu argumento de trás para a frente, dando saltos no tempo. Amnésia é a história de Leonard Shelby, após sofrer um trauma cerebral que lhe causa amnésia anterógrada, isto é, ele se torna incapaz de armazenar novas recordações, mas tem memória sensorial e recorda como realizar ações cotidianas. Tatuagens e fotos instantâneas são os recursos de que ele lança mão para lembrar fatos recentes de sua vida. O roteiro do filme foi indicado a vários prêmios importantes, assim como sua edição.
3. Feitiço do tempo (Groundhog Day, 1993)
http://www.youtube.com/watch?v=oOnOSIJplEE
Tropeços no tempo rendem ótimas comédias como esta, protagonizada por Bill Murray (de Ed Wood e Encontros e desencontros). Ele faz o papel de um repórter mal-humorado que viaja até uma cidadezinha do interior para cobrir “O Dia da Marmota”. Algo inesperado acontece e ele fica preso no tempo, repetindo sempre o mesmo dia. Cheio de mensagens subliminares, mesmo sendo uma história leve, esse filme dá conta do seguinte recado: “Life has a funny way of repeating itself” (“A vida tem um jeito engraçado de se repetir”), como diz seu slogan.
4. Perguntas frequentes sobre viagem no tempo (F.A.Q. About Time Travel, 2009)
http://www.youtube.com/watch?v=WBV340x3GcA
Viagens no tempo são uma obsessão para quem investiga os mistérios do universo ou gosta de pensar sobre eles. Nesta divertida obra de baixo orçamento do britânico Gareth Carrivick , três nerds viajam para a frente e para trás no tempo, tentando evitar o encontro de suas múltiplas versões e descobrir quem quer assassiná-los. O mais interessante é que, com ótimas atuações e locações reduzidas (praticamente só o espaço interno de um bar), o filme brinca com todas as referências dos filmes do gênero.
5. Ainda orangotangos (2008)
http://www.youtube.com/watch?v=5wN03VFYJTE
Durante 14 horas de um calorento dia de verão em Porto Alegre, quinze personagens com histórias diferentes caminham pelas ruas. É apenas um dia comum na cidade, mas todos eles se cruzam em um filme de 81 minutos, absolutamente sem cortes. Ainda orangotangos, o primeiro longa-metragem do diretor gaúcho Gustavo Spolidoro, é um dos raros exemplos de filme em plano-sequência do cinema brasileiro. Sem dúvida, uma importante referência para quem quer experimentar em seus vídeos tanto em termos de estilo quanto de narrativa o poder do tempo corrido.
6. Não por acaso (2007)
O primeiro longa-metragem do diretor brasileiro Philippe Barcinski relata o cotidiano de dois personagens obcecados por manter suas vidas sob controle. A abordagem do tempo aparece no cotidiano e na personalidade dos dois: é como se o tempo pudesse ser tocado com as mãos, agarrado, organizado. Pedro (Rodrigo Santoro) fabrica mesas de sinuca; sua vida amorosa é levada como uma jogada estudada com antecedência. Já Ênio (Leonardo Medeiros), vigilante dos semáforos da companhia de engenharia de tráfego paulistana, opera sob disciplina semelhante – qualquer evento estranho na sua vida pessoal, como uma filha que ele não conhecia, é tratado como um engavetamento entre veículos. Dois metódicos em sintonia com o lugar onde moram: a caótica (e também metódica) cidade de São Paulo.
+1: Tempo Presto (2006)
http://www.vimeo.com/20804273
Este curta-metragem experimental do brasileiro Fernando Sanches mostra uma bela abordagem do tempo urbano ao explorar imagens de uma grande cidade. A técnica usada por ele é a sobreposição de fotografias fixas, feitas com câmera digital. Fácil e belo, não?
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