CartaCapital, Sócrates - 24/09/2008
A Paraolimpíada é tratada por alguns meios de comunicação como uma competição menor e mesmo descartável. Pode-se especular sobre as causas de tamanho desinteresse, relacionando-as ao materialismo dessas empresas ou a outras estratégias. Tenho, no entanto, uma opinião clara sobre o fato: puro preconceito.
Preconceito contra os portadores de necessidades especiais, que neste caso voltaram a ser tratados simplesmente como deficientes físicos, em uma clara manifestação do politicamente incorreto. A repercussão das intensas campanhas realizadas pela mídia para gerar efeitos de popularização em alguns atletas “não-deficientes” poderia também ocorrer com os paraolímpicos, caso estes tivessem o mesmo tratamento. Se Cesar Cielo, ganhador de duas medalhas, uma de ouro, pode desfilar em carro aberto quando volta ao País, o colega nadador Clodoaldo da Silva, ganhador de 13 medalhas em três Paraolimpíadas, seis de ouro, também mereceria os seus dias de glória nacional. E assim por diante.
Há um mês, clamava-se por medalhas como se fossem necessárias para o orgulho nacional. Hoje se despreza o grupo de atletas que subiu ao pódio mais do que o triplo em comparação com os “olímpicos”. E com muito menos patrocínio estatal ou renúncia fiscal. Difícil engolir esse tipo de coisa.