Começou com uma enxurrada de informação a semana que os autores dos 20 vídeos finalistas do Festival Claro Curtas 2008 passarão em São Paulo - até a grande festa de premiação. Na segunda e na terça-feira, os realizadores participaram de um workshop na Casablanca, onde tiveram contato com os processos de finalização e pós-produção pelos quais seus trabalhos passaram, além de aprenderem tudo a respeito das técnicas de acessibilidade nas obras audiovisuais.
O encontro começou com a exibição dos 20 vídeos em sua versão já tratada pelos profissionais da Casablanca. Os autores, então, debateram aspectos técnicos de cada obra junto de um dos maiores nomes da área de pós-produção audiovisual no Brasil, José Augusto de Blasiis. Ele explicou aos finalistas em que consistiam os processos pelos quais os curtas-metragens haviam passado para corrigir aspectos da qualidade de imagem e som. “São ferramentas poderosas, que precisam ser usadas a serviço daquilo que o vídeo quer transmitir. Entre os selecionados, há muitos visuais que teoricamente não são ideais, mas que ajudam a contar a história”, explicou De Blasiis.
Na tarde da segunda-feira, os realizadores foram divididos em dois grupos: enquanto uma turma se dedicava a avaliar os aspectos de som, outra fazia o mesmo com os de imagem. Em seguida, os grupos invertiam seus papéis. Dessa forma, os profissionais da Casablanca puderam explicar com mais detalhes aquilo que foi feito em cada caso. “São dicas aparentemente simples que, ao final, fazem toda a diferença. Na próxima vez em que for filmar algo, vou com a cabeça completamente diferente”, contou Gerson De Veras, autor de Fast Food, um dos finalistas.
A terça-feira teve mais uma manhã de conversas proveitosas enquanto o grupo voltava a assistir a todos os 20 filmes. Dessa vez quem comandou o bate-papo foi o montador Umberto Martins (Noel – Poeta da Vila), que falou sobre os principais aspectos da edição de um trabalho audiovisual. A parte da tarde foi toda dedicada à acessibilidade, com a palestra do espanhol Ángel Crespo – um dos maiores especialistas do assunto em todo o mundo – e o acompanhamento dos processos feitos para adaptar os vídeos à inserção de subtítulos, audiodescrição e Libras (Língua Brasileira de Sinais).
“Foi nos encontrarmos para o workshop que nos demos conta de que entre os finalistas há muitas belas histórias, que se encontram mais por meio do tema ‘Diversidade e Inclusão’ do que por serem pessoas ligadas ao cinema – como normalmente aconteceria num festival de curtas–metragens qualquer”, opinou Juliana Carvalho, realizadora de O que os olhos não vêem, as pernas não sentem.