Confira o perfil dos 20 Selecionados para a grande final do Claro Curtas:
Até alguns meses atrás, o paulistano Rodolfo Pauletto, de 28 anos, trabalhava no departamento de criação de uma agência publicitária. Foi quando ele decidiu que era a hora de perseguir seu sonho: trabalhar com cinema. Hoje ele realiza vinhetas e comerciais de TV e agora tenta ganhar reconhecimento na área com A mão, curta-metragem que filmou com a webcam de seu computador e no qual ele próprio atuou e foi locutor.
Em Olinda, Paulo Passos, de 32 anos, trabalha como professor de idiomas e nunca havia feito mais do que vídeos amadores. Com o vídeo Brigitte Woguel, ele chegou entre os 20 finalistas do Claro Curtas 2008 e agora sonha com um lugar entre os premiados. “Seria a oportunidade de um grande começo profissional no universo das produções audiovisuais”, conta ele.
Além de diretor e roteirista, Alex Moletta também coordena oficinas de iniciação cinematográfica na região do ABC paulista. Aos 36 anos, o cineasta de Santo André chegou à final do Claro Curtas com Diferente, mas igual, que produziu junto de Simone Alessandra. Segundo Alex, trata-se de uma tentativa de abordar o tema “Diversidade e Inclusão” de um modo diferente: “O preconceito e a exclusão nos são ensinados desde a infância. Temos que partir do princípio de que, se não houver a cultura e a educação da exclusão, nem haverá necessidade da inclusão.”
Formado em jornalismo, Isaac Chueke, de 41 anos, atua na área de cinema e vídeo desde 1989 como diretor, roteirista, editor e fotógrafo. Sua produtora assina uma lista vasta de videoclipes, DVDs, curtas-metragens e documentários. Em Driblando o Escuro, ele teve um trabalho duro para editar o material bruto dentro dos 90 segundos propostos pelo festival: “Foi difícil pela riqueza de histórias interessantes que havia para contar”, diz ele.
Estudante de publicidade, a gaúcha Joana Castilhos, de 20 anos, já havia produzido três anúncios e dois mini-metragens antes de realizar Essência – curta-metragem com o qual tentou “transmitir uma mensagem de forma universal”. Bem ao estilo daquele que ela aponta como seu cineasta favorito, o sueco Ingmar Bergman.
Em Brasília, Gerson De Veras, de 33 anos, trabalha como domador de cavalos, além de ser um artista multifacetado: atua como cantor, compositor, DJ e videomaker. Esse último talento ficou evidente em Fast Food, vídeo que o levou à final do Claro Curtas 2008.
Formado em desenho industrial pela Universidade Federal do Maranhão, Rodrigo Alex, de 31 anos, sempre esteve envolvido com temas sociais. Trabalha com organizações não-governamentais e já realizou direção de arte e animação para anúncios publicitários e videos institucionais antes de se aventurar na realizacão de Fuga para Palmares. É a partir daqui que ele pretende enveredar definitivamente na carreira. “Estar entre os premiados seria a realização de um sonho: o sonho de fazer parte desse cinema nacional, tão preocupado com as questões sociais.”
A santista Vanessa Ratton Ferreira, 37 anos, é jornalista e professora em Comunicação pela PUC – SP. Além disso, também é atriz e escritora, o que a ajudou muito quando decidiu produzir seu primeiro curta, o finalista Iracema. Fã de José Padilha – um dos membros do júri -, ela conta que seu maior desafio foi falar sobre “Diversidade e Inclusão” de uma maneira positiva. “Apenas mostrar as dificuldades não basta. Temos que valorizar as soluções criativas que os brasileiros dão aos problemas”, diz Vanessa.
Embora André Saito viva em São Paulo e Cesar Nery, em Los Angeles, os dois amigos de 24 anos se juntaram à distancia para realizar João Torrão. Não foi a primeira vez que os dois realizaramum curta-metragem juntos: quando cursavam a faculdade, eles já haviam escrito e dirigido O Outro Amanhã, com Dan Stulbach.
Alem do finalista Margens, o publicitário paulistano André Leite, 34 anos, já produziu outro curta coletivo e vídeos institucionais. Fã de Glauber Rocha e do bósnio Emir Kusturica, André quis mostrar com seu curta a barreira física que separa o mundo dos cadeirantes. Se conseguir um lugar entre os premiados, André acredita que terá contribuído de alguma forma com a causa: “Espero ajudar a vencer mais uma batalha pelos direitos dos deficientes físicos”.
Publicitária e realizadora do programa ‘Faça a Diferença’, da TV Assembléia, Juliana Carvalho, de 27 anos, é a responsável por O que os olhos não vêem, as pernas não sentem. Devido a uma inflamação na medula que a acometeu aos 19 anos, ficou tetraplégica. Desde então, reaprendeu a realizar todos os movimentos com as mãos e segue fazendo fisioterapia com o sonho de um dia voltar a andar. Para Juliana, um prêmio no Claro Curtas serviria como mais um passo na luta por acessibilidade e inclusão que trava diariamente. “Mostraria para o Brasil que as pessoas com deficiência podem comunicar através da Sétima Arte como qualquer um.”
Foi produzindo vídeos de skatistas que, há quatro anos, o jovem editor curitibano Bruno Roberto de Souza – que tem apenas 20 -, começou sua experiência com audiovisual. Admirador de Quentin Tarantino, ele conta que se sentirá imensamente honrado caso seu curta, Perna, esteja entre os premiados do Claro Curtas 2008.
Recém-formado em cinema, o carioca Mikael Santiago, de 24 anos, já dirigiu e escreveu o roteiro para quatro outros curtas-metragens além de Pontapé Inicial. Fã de Michael Haneke, Gus Van Sant e dos irmãos Dardenne, ele conta que seu maior desafio foi “equilibrar as sutilezas” do tema “Diversidade e Inclusão”. Por isso, se for escolhido entre os primeiros colocados, Mikael espera estar fazendo sua parte para uma mudança: “De alguma forma, espero que o curta contribua para uma evolução de pensamento e postura, para que as pessoas se aproximem sem julgamentos”.
Aluno do primeiro ano do curso de audiovisual, Ricardo Alexandre da Silva, de 31 anos, produziu Por outros olhos para a faculdade. Foi um de seus professores que sugeriu que ele e sua equipe inscrevessem o vídeo no Claro Curtas 2008. Deu mais do que certo: “Quando vimos nosso vídeo entre os 20 finalistas, saímos feito loucos gritando pela faculdade. Não esperávamos tanto. Agora que estamos aqui, será uma alegria sem medidas estar entre os quatro premiados.”
Formado em jornalismo, Danilo Scaldaferri coordena uma oficina de vídeo na Kabum! Escola de Arte e Tecnologia, na Bahia. Ele contou com essa experiência na área do audiovisual para realizar seu curta Sétimo Dia, com o qual chegou à fase final do Festival Claro Curtas 2008.
Nos seus cinco anos como voluntário na AACD (Associação de Apoio à Criança com Deficiência), o publicitário Duda Hernandez, de 42 anos, aprendeu muito sobre as pessoas com necessidades especiais. “Vi que suas vidas são pautadas pela igualdade, dignidade e superação.” A experiência foi fundamental para a realização de Sou, eleito um dos finalistas do Claro Curtas.
Para realizar Um amor maior que eu, o animador Felipe Vellasco, de 26 anos, e a redatora Mariana Borga, de 25, tentaram se valer do humor e da criatividade para não caírem na mesmice. “O mais difícil de um tema tão complexo é passar a mensagem sem ser chato nem sentimentalóide”, explica Mariana. Eles esperam que o resultado agora os leve mais longe dentro do meio do audiovisual. “Pode ser o começo de nossa história dentro do cinema”, diz Felipe.
A fotógrafa e designer Márcia Bellotti, de 27 anos, nunca havia trabalhado com audiovisual até produzir o finalista Um minuto para Lady Elizeth, um trabalho em que, segundo ela, o tema “Diversidade e Inclusão” foi tratado com “profundidade, universalidade e leveza”.
Paulistano de 22 anos, André Hime define a si mesmo como um “artista multimeios”, e não sem motivos: o autor de (uni)(di)VER-SO tem um portfólio que inclui projeto gráfico de álbum, produção de DVD e a direção de diversos videoclipes – todos em parceria com Huila Gomes, que também divide os créditos do vídeo finalista do Claro Curtas. Para André, a chave do trabalho foi o roteiro: “Tentamos produzir algo de fácil entendimento, adequado para celular, e que fugisse do clichê, do melodrama e do preconceito bem intencionado.”
As experiências anteriores do carioca Marcos Nauer Sampaio, 26 anos, foram na frente das câmeras: o ator já havia participado de outros curtas-metragens antes de produzir o seu próprio: Vice-versa. Encontrar o tom exato para tratar do tema “Diversidade e Inclusão” foi o que mais lhe custou: Tentei usar o embasamento teórico e o posicionamento crítico sem, no entanto, ser demasiadamente didático”, explica ele.